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16/11/2010 / Thiago Ghougassian

perde e ganha

Nunca ter ou ter e perder? Perdas. Tudo são perdas. A mãe perde o filho para o mundo. O filho perde o medo. A vida perde a cor. A comida perde o gosto. O asfalto perde a textura. E daí tudo volta a seu lugar. O filho perde o medo de abraçar a mãe. O asfalto dá cor à vida e o tempero dá gosto à comida.
Perdas. Uns dizem que perder é ruim. Deixa a sensação de saudades, de vazio. Parece que tudo é estranho, incompleto, que você não pertence a esse mundo. Que falta… Falta vida, falta gosto.
Perdas. Outros dizem que perder é bom, que ensina a viver. Nada é eterno e devemos nos acostumar com isso. Perder ajuda a auto-descoberta, nos coloca diante de novas oportunidades. Perder é saudável.

Perder (talvez) seja a palavra que defina Café com Leite, curta-metragem selecionado pelo Programa Petrobras Cultural e produzido pela Lacuna Filmes. O filme conta a história do casal Danilo e Marcos que veem sua relação se abalar por um problema familiar de Danilo. Mediante a isso, uma série de acontecimentos se desenrola envolvendo o casal e o irmão mais novo de Danilo, Lucas. O roteiro e direção são de Daniel Ribeiro e compõe o elenco Daniel Tavares, Diego Torraca e Eduardo Melo.

Diálogos rápidos, montagem delicada, atores dedicados, trama sensível e uma experiência cinematográfica selvagem. A história desperta questões apontadas no começo deste post:  perda e de ganho. Perder algo nunca é fácil. Requer habilidade, juízo, segurança e experiência. Perdemos chances, pessoas, ônibus, sentimentos, chaves, guardas-chuva, horas, juízo, dinheiro, paixões, amigos, cartões. Perdemos e ganhamos. Ganhamos experiências, outro ônibus, mais dinheiro, mais histórias.

Danilo perdeu ou ganhou? Depois de assistir Café com Leite inúmeras vezes  acredito que ganhou mais do que perdeu. As ondas da vida podem movê-lo para longe. Ele só precisa se deixar levar. Deixar levar. Falar assim, friamente, parece fácil. E quando acontece com você? Quando você perde? Você chora, se desepera, megulha num vazio, numa insegurança, numa complexa cadeia de pontos nublados. Você não tem chão. Você é metade de você.
Mas pense, vá além do choro, permita-se. Experimente-se. Entenda o porque. Equilibre. Equilibre-se. Você não é mais o mesmo. A metade de você é completa e exige que você cresça, que viva, que arrisque, que ame, que sorria, que tente outra vez, que conheça. Que se perca. Perca o medo de perder, o medo de crescer, o medo de ganhar e o medo de não ter medo. O medo de ser feliz e o medo de viver.

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