Skip to content
29/06/2010 / Thiago Ghougassian

Uma menina, vários lobos e inúmeros vampiros: isso é Eclipse

O Blaah Blog foi na pré-estréia da trama adolescente em São Paulo. Confira a crítica.


Uma tira de cetim vermelha rasgada num fundo preto ilustram a capa de Eclipse, terceiro volume da série Crepúsculo. Porém, o que ilustrava a “capa” do Cinemark Villa-Lobos ontem às 23h30 era um enxame de jovens acompanhados por seus pais, namorados ou amigos. O motivo? A pré-estréia da terceira adaptação da saga escrita por Stephenie Mayer.
Com as lojas do shopping completamente fechadas, parte da juventude paulistana estava ansiosa para conferir Bella, Edward e Jacob numa nova aventura que colocaria a moçoila humana num entrave amoroso: escolher um vampiro ou um lobo como companheiro. A maioria dos jovens naquele cinema usava calça colorida, All-Star, piercing, óculos de grau “geek” e blusa que cobria camisetas pretas que levavam (ou não) o logo da saga. Além disso, cada mão carregava um pôster do Edward Cullen que o Cinemark deu para a compra da pré-estréia. “Eu queria do Jacob!” disse uma menina ao meu lado. Ela estava acompanhada dos pais que pareciam também animados para assistir o filme. A fila para comprar pipoca estava lotada, levando cerca de vinte minutos para comprar um combo (aliás, quem comprava o combo médio + 1 M&M’s + 1 real, levava um copo especial. Obviamente eu não poderia perder essa).
A sala 4 do Cinemark Villa Lobos não foi uma boa escolha para assistir o fenômeno mundial. As cadeiras eram confortáveis e havia um bom espaço entre as fileiras, mas não seguia o modelo arena, o qual as cadeiras ficam dispostas em degraus que vão descendo. Era uma sala praticamente plana que comportou um bom número de viciados que não se importavam em estar no cinema aquela hora de terça-feira.
Tudo pronto, trailers (e muitos) finalizados, é hora de curtir o “eclipse” cinematográfico.

Crédito: Adoro Cinema

A primeira cena tem Bella e Edward num campo florida. A moça recita “Fogo e Gelo”, de Robert Frost (que inclusive abre o livro), enquanto o outro Robert brilha no sol. O começo do filme é um pouco parado. As ameças à Forks continuam, Bella viaja para visitar a mãe e tal. O filme começa a ficar empolgante quase no meio, quando Jacob aparece. Além dos gritinhos contidos das meninas que estavam na sala, eu podia ouvir meu coração bater um pouco mais rápido com o passar das cenas.
Por volta das 2h da manhã, quando o filme terminou, eu podia avistar algumas pessoas limpando as lágrimas e saindo satisfeitas do cinema. Eu, que derramei pouco mais que 4ml de lágrima, estava entre “fogo e gelo”.

Crédito: Adoro Cinema

A real é que o filme cumpre o que promete. Não surpreende (para quem leu o livro) e também não decepciona. Além disso, está longe de ser um filme ok. A charada do filme é entender além das cenas e dos diálogos. A pessoa precisa ter sensibilidade para captar a essência da escolha de Bella e aplicar isso á sua vida (sério).
O problema de filmes que são adaptações de livros (em todos os casos) é que muita coisa fica de fora e muita coisa que não deveria receber tanta atenção, recebe. Senti também em Eclipse que a direção do longa explorou pouco a proposta do filme: explicar as lendas de vampiros e lobos e acentuar a paixão de Bella por Edward (e Jacob). Para mim, o que deveria ser mais explorado: a festa de formatura e os mitos (tanto dos lobos quanto dos vampiros e recém-criados). Foi um erro colocar Bryce Dallas Howard (atriz que substituiu Rachelle Leferve no papel da vampirona Victoria) nesse filme. Ela deveria interpretar uma Victoria mais sedenta por vingaça. Ela parecia um cordeirinho assustado!
Outra falha na adaptação fica por conta da reprodução mínima de diálogos incríveis. Explico-me: no livro, as falas dos personagens assumem o papel de protagonistas da história. São falas bem escritas, com muito sentido e que arrebatam a nossa atenção. No filme, acho que somente 3 falas foram fielmente reproduzidas (uma de Jacob, uma de Bella e uma de Edward).
Eclipse me promou uma coisa: Kristen ainda não é uma atriz que mereça minha admiração. Pelo menos não como Bella. O que acontece é que a dúvida que permeia a história (se a mocinha vai escolher Edward ou Jacob) fica em segundo plano, sendo que essa é uma das chaves da terceira parte da saga. Se Kristen fosse uma super atriz, a gente sentiria isso em seus gestos, olhares e reflexos.
Não posso deixar de comentar também o Edward fazendo a linha Kaká de “sexo só depois do casamento”. Muitas menininhas ficam suspirando e achando isso lindo, um vampiro sensível, carinhoso e romântico. Ponto positivo para a direção do filme que encaminhou essa vertente muito bem.
Diante de tudo isso, não posso deixar de falar sobre os pontos altos do filme: intensidade de sentimentos grande, brigas muito bem dirigidas (excelentes na verdade), cenas quentes excitantes e as ironias de Jacob e Edward que me fizeram rir muito.

Crédito: Adoro Cinema

Apesar de ter dado prioridade ás “falhas” do filme, Eclipse merece um lugar na minha prateleira de DVDs quando sair do cinema, bem ao lado de Crepúsculo e Lua Nova. É uma história envolvente, que abraça todo o contexto adolescente e traz reflexões “reais”. Ele justifica o sucesso da saga e cria ainda mais expectativa para a primeira parte do último filme: Amanhecer.
Deixe-se morder. Ou arranhar. Ou… Enfim, cola no cinema e confere.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: