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23/04/2010 / Thiago Ghougassian

Alice no País das Maravilhas

Quando começou a ser rodado em maio de 2008, a notícia do “remake” de Alice no País das Maravilhas estampou sites, jornais, revistas e conversas do mais diferentes tipos de pessoas. O diretor (e mestre) Tim Burton havia acertado em cheio na escolha, uma vez que a história tem praticamente tudo haver com a fama de maluco-doido-desvairado. Daí, veio a onda Avatar e logo uma versão em 3D do filme foi feita.

Desde o anúncio, meus olhos aclamavam por tal película. Seria o maior presente que meu lado cinéfilo poderia ganhar, afinal, sou fã maluco-doido-desvairado do diretor maluco-doido-desvairado. Além disso, Alice merecia uma adpatação, merecia uma versão a la Burton. Bem, acompanhei todas as novidades do filme, clipes, trailers, fotos, enfim, tudo que podia consumir.

Finalmente o filme estreiou dia 5 de março desse ano nos Estados Unidos e, em pouco tempo, foi sucesso absoluto de bilheteria, não só em solo americano mas também ao redor do mundo (apesar de parte da crítica ter sido rude). Restava a nós, brasileiros, aguardar a dona Disney lançar na terra verde e amarela. E então a data foi divulgada: 23 de abril e depois mudaram para o dia 21 e, novamente, para o dia 23.

Acontece que a sorte me abraçou e eu comprei a pré-estréia antes de mudarem novamente para o dia 23.
A sessão IMax 3D da 0h01 era minha. Lá estava eu, aberto para a enxurrada de maluquices que tanto esperava. O filme começou, os pêlos se arrepiaram e me aparece a Alice quando era criança.Mágico. Túnel do tempo com óculos 3D.

Conforme o filme ia passando, o 3D agarrava meu estômago, enchendo-me de expectativa e satisfação. Mas, onde estava afinal a mãozona do Burton?
A fotografia é incrível. Os efeitos são magníficos. A atmosfera underground é enlouquecedora e as atuações, ah… As atuações… Se o Chapeleiro Maluco realmente existisse, ele seria Jhony Deep, sem sombra de dúvidas. Os olhos, aumentados virtualmente transbordavam de interpretação. E a Helena Bonham Carter? Sem comentários. “Cut the head off!” é o bordão mais legal ever! E, claro, não podemos deixar de falar da Anne Hathaway como Rainha Branca. Fabulosa, de verdade. Bem, mas afinal, onde está Tim Burton? Cada detalhe da história original foi mantido, inclusive, a junção de “País das Maravilhas” com “Através do Espelho” deu um ar totalmente ritmado para a trama, manteve (a falta de) fôlego e surpreendia a cada cena. E, como todo bom filme da Disney, repleto de mensagens-chave nobre á adaptação em nossas vidas.

Só sei que cheguei ao final do filme com a seguinte pergunta: “Cadê o toque do Tim Burton?”. De fato, ainda não sei. Apesar de achar o filme digno de aplausos, não senti o que mais queria, não senti o que Edward Mãos de Tesoura, Sweeney Todd e A Fantástica Fábrica de Chocolate me passaram. Burton deixou de ser um grande diretor? Não, acho que não.
Voltando para casa ás 2h30 da manhã, cheguei a uma conclusão: cai em contradição. Alice não foi uma escolha sábia do diretor. Lewis Carrol foi tão maluco-doido-desvairado-varrido-de-pedra que a loucura de Tim Burton ficou mascarada. Por natureza, a história já é “noiada”, logo, Tim Burton não deu toque nenhum; ele simplesmente dirigiu uma história que deveria ter sido escrita especialmente para ele.

Pude respirar aliviado quando entendi isso. Não fiquei órfão de diretor, só fiquei decepcionado. Não quero dizer com isso que é uma droga de filme e que me arrependo. É um filme incrível e que tem que ser visto por todos, mas eu, Thiago Ghougassian, esperava mais por ser Tim Burton.
Outra lição que o filme me ensinou: nunca, jamais assista a um filme rechado de expectativa. Vá assistir “vazio”, sem ser contaminado pela crítica ou por auto-ansiedade. É a melhor forma de se aproveitar para valer um filme, sendo ele bom ou ruim.

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